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Dor no Ombro: quando é apenas um incômodo e quando merece investigação?

  • Foto do escritor: Ramon Silva
    Ramon Silva
  • 8 de jun.
  • 3 min de leitura

Dor no ombro: mulher com desconforto na articulação do ombro ilustrando artigo sobre causas, diagnóstico e quando procurar avaliação médica. Arte institucional do Centro Médico Dr. Ramon Vieira e Silva com ilustração anatômica do ombro.

A dor no ombro é uma das queixas musculoesqueléticas mais comuns em consultórios e serviços de imagem. Ela pode surgir após esforços físicos, movimentos repetitivos ou mesmo sem uma causa aparente, afetando atividades simples do dia a dia, como vestir uma roupa, pentear os cabelos ou levantar objetos.

Embora muitas vezes esteja relacionada a inflamações e lesões dos tendões, a dor no ombro pode ter diversas causas e merece avaliação adequada quando persiste ou limita os movimentos.


O que pode causar dor no ombro?

O ombro é uma das articulações mais complexas do corpo humano. Sua ampla mobilidade depende da ação coordenada de músculos, tendões, ligamentos e articulações.

Entre as causas mais frequentes estão:


Tendinite do manguito rotador

É uma das principais causas de dor no ombro, especialmente após os 40 anos.

O manguito rotador é um conjunto de tendões responsáveis pelos movimentos e pela estabilidade da articulação.

A inflamação desses tendões pode provocar:

  • Dor ao levantar o braço;

  • Dor ao pentear os cabelos;

  • Dor ao vestir roupas;

  • Desconforto durante a noite.


Bursite

A bursa é uma pequena estrutura que reduz o atrito entre os tendões e os ossos.

Quando inflamada, pode causar:

  • Dor ao movimentar o braço;

  • Sensação de peso;

  • Limitação funcional.

Muitas vezes bursite e tendinite ocorrem simultaneamente.


Lesões do manguito rotador

Com o envelhecimento ou após traumas, podem ocorrer rupturas parciais ou completas dos tendões.

Os sintomas incluem:

  • Fraqueza;

  • Dificuldade para elevar o braço;

  • Dor persistente.


Síndrome do impacto

Ocorre quando os tendões sofrem compressão durante os movimentos do ombro.

É comum em pessoas que realizam movimentos repetitivos acima da cabeça, como:

  • Pintores;

  • Professores;

  • Profissionais da construção civil;

  • Praticantes de esportes de arremesso.


Artrose do ombro

O desgaste das articulações também pode causar:

  • Dor crônica;

  • Rigidez;

  • Limitação progressiva dos movimentos.


Capsulite adesiva (ombro congelado)

Caracteriza-se por dor associada à perda progressiva dos movimentos do ombro.

É mais frequente em:

  • Mulheres entre 40 e 60 anos;

  • Pessoas com diabetes;

  • Pacientes após períodos prolongados de imobilização.


Quando devo procurar avaliação médica?

A dor no ombro merece investigação quando:

  • Persiste por mais de algumas semanas;

  • Interfere nas atividades diárias;

  • Limita os movimentos;

  • Surge após trauma;

  • Acorda o paciente durante a noite;

  • Está associada à perda de força.

O diagnóstico precoce costuma facilitar o tratamento e reduzir o risco de lesões mais graves.


Quais exames podem ser necessários?

A escolha do exame depende dos sintomas e da suspeita clínica.


Ultrassonografia do Ombro

É um dos exames mais utilizados para avaliação inicial.

Permite analisar:

  • Tendões do manguito rotador;

  • Bursa subacromial;

  • Inflamações;

  • Calcificações;

  • Rupturas tendíneas.

Entre suas vantagens estão:

  • Não utiliza radiação;

  • É rápida;

  • Possui excelente relação custo-benefício;

  • Permite avaliação dinâmica durante os movimentos.


Radiografia

É útil para avaliar:

  • Artrose;

  • Calcificações;

  • Alterações ósseas;

  • Consequências de traumas.


Ressonância Magnética

Pode ser indicada quando há necessidade de avaliação mais detalhada dos tecidos moles.

É especialmente útil para:

  • Rupturas complexas;

  • Lesões articulares;

  • Planejamento cirúrgico.


Toda dor no ombro significa cirurgia?

Não.

Na maioria dos casos, o tratamento é conservador e pode incluir:

  • Fisioterapia;

  • Exercícios específicos;

  • Correção postural;

  • Medicamentos quando indicados;

  • Mudanças nos hábitos de movimento.

A cirurgia é reservada para situações específicas, especialmente algumas rupturas tendíneas importantes ou casos que não melhoram com tratamento clínico.


É possível prevenir problemas no ombro?

Sim.

Algumas medidas ajudam a reduzir o risco de lesões:

  • Manter fortalecimento muscular adequado;

  • Evitar movimentos repetitivos excessivos;

  • Corrigir a postura;

  • Praticar atividade física regularmente;

  • Procurar avaliação médica diante de sintomas persistentes.


Conclusão

A dor no ombro é uma condição muito comum e pode ter diversas causas, desde inflamações simples até lesões mais complexas dos tendões e articulações.

A avaliação adequada e os exames de imagem permitem identificar a origem do problema e orientar o tratamento mais apropriado para cada paciente.

Quando a dor persiste ou limita suas atividades, procurar atendimento especializado é o melhor caminho para recuperar a qualidade de vida e evitar a progressão das lesões.


Referências científicas

  1. American Academy of Orthopaedic Surgeons. Management of Rotator Cuff Injuries.

  2. American College of Radiology. Chronic Shoulder Pain and Acute Shoulder Pain Imaging Guidelines.

  3. European Society of Musculoskeletal Radiology. Shoulder Ultrasound Recommendations.

  4. Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia. Diretrizes para diagnóstico e tratamento das doenças do ombro.

 
 
 

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